Andam dizendo por aí que a CPI do Cachoeira será a mais importante e a mais grandiosa da história do Brasil. Já ouviram alguma coisa do tipo “nunca antes na história deste país?” Pois é! Tem gente que não se contenta em ser normal, em agir normalmente, ou, noutras palavras, não faz o que faz porque simplesmente tem que fazer. Em todo mundo, especialmente no mundo parlamentar, adora-se a mídia e aproveita-se, quase sempre, para fazer fricotes ou dar uma de periguete político-moralista. Lembram-se da CPI dos Anões? E a do Collor? E a dos Correios ou mensalão? Todas as maiores da história. Sinceramente não sei qual o parâmetro que estes homens da política valem-se para tais afirmativas vazias de sentido. Talvez, e ouso afirmar, usem um latrinômetro; lógico, se a ordem de grandeza mede-se pela intensidade ou pela imensidão da podridão a ser investigada, até que valeria “o juízo de medida”. Sejamos sinceros: não bastaria fazermos simplesmente o que temos que fazer e, em cumprimento e honra às prerrogativas constitucionais atribuídas a esta ou àquela instituição, trabalhar primeiro o feijão com arroz do dia a dia? Sinceramente, falta-nos a humildade do cotidiano, enquanto sobram câmeras namoradeiras e discursos magricelas.

Jornal do Comércio online (17/05)
Então, venha a CPI do Cachoeira. Se ela não se transformar em mais um espetáculo midiático a hibernar por longos e longos anos no Judiciário, tudo bem. Vejam o mensalão – talvez o “maior processo” a ser julgado pelo STF – que, para “simples” instrução, já consome mais de cinco anos. O certo são manchetes, manchetes e mais manchetes e, lógico, a depender do ritmo das investigações da imprensa, as novidades malcheirosas de todos os dias. Mas, afinal de contas, precisamos dar o braço a torcer. “A maior CPI de todos os tempos” começa bem: a imprensa já está divulgando os áudios das sessões secretas da CPI. Pode? Claro que pode! É sério? Claro que não é! Mãos a obra e aguardemos a CPI nunca antes vista na história deste País! Pode? Claro que pode! Com os políticos que elegemos, tudo é possível ou, como diz um conhecido meu: nada mudou, ou, por outra, nada está sob controle nunca.
Doutor em Direito e escritor
A Spindler Comunicação Corporativa presta assessoria de imprensa para o advogado Ricardo Giuliani e para o escritório no qual é sócio, o Variani, Giuliani & Advogado Associados, de Porto Alegre.